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Como eu e meu namorado conseguimos criar e produzir uma websérie na quarentena sem dinheiro

Faz três semanas que estou para publicar este texto aqui. É que faz três semanas que eu e meu companheiro João Victor Albuquerque colocamos uma filha no mundo, após uma gestação de quatro meses.

A filha em questão se chama Ligações e é uma série ficcional de IGTV, criada por nós com a ajuda de quase 30 amigos. “It takes a village”, como dizem os americanos. Na próxima quinta-feira (12/7), vamos publicar o quarto dos oito episódios que compõem a primeira temporada. Cada um deles mostra um pouco da vida durante a quarentena de um personagem diferente através de suas videochamadas.

Tem o casal em crise tentando comemorar o aniversário de namoro, a mãe solo sobrecarregada pelo “homãe office”, o paciente tentando se entender através da terapia à distância, a quase-aposentada que entra em crise existencial após perder o emprego, as ex-amigas que tentam resgatar a amizade que um dia tiveram, a solteira que tenta encontrar um amor em dates virtuais, o neto preocupado com o avô e os amigos tentando fazer uma festa surpresa pelo zoom para a amiga aniversariante.

Sinto orgulho de ter conseguido preencher um parágrafo inteiro com as sinopses dessas oito histórias. Acho até difícil de acreditar que todas elas já tenham sido filmadas e algumas até estejam publicadas no nosso IGTV. É que João e eu estamos juntos há quase uma década e, depois de todos esses anos, perdi a conta de quantas ideias de curtas, longas e séries tivemos juntos.

Perdi a conta porque elas nunca deixaram de ser apenas isso: ideias. Ideias que eram conhecidas apenas por nós dois e, vez ou outra, algum amigo. Ideias que eram quase como segredos que, às vezes, eram até esquecidas. Mas, como tudo depois da eclosão da pandemia de Covid-19, isso também mudou.

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Com essa coisa do isolamento social, do confinamento forçado e -- por que não? -- do risco de morte iminente, resolvemos tomar coragem e finalmente desenvolver algo. Primeiro, pensamos na ideia do casal, que era pra ser um curta-metragem. Nos empolgamos com o formato de videochamada e decidimos, então, transformar a ideia em série. Criamos juntos as premissas dos episódios, mas percebemos que, para desenvolver essas ideias, precisaríamos de mais mãos (e cérebros). Então, resolvemos pedir reforços para as donas de três mentes que amamos: Fernanda Gonçalves, Isabella Senise e Mariana Marinho. E elas toparam!

Foram dois meses de sala de roteiro, com reuniões semanais por Zoom e um grupo de Whatsapp bem movimentado. Juntos, desenvolvemos 16 personagens (com direito a perfil, vida pregressa, etc) e oito episódios. João escreveu três deles; Isa, Fê e Mari ficaram cada uma com um. Eu escrevi outros dois e fiquei responsável pela redação final da temporada toda. Foi uma trabalheira, mas nos divertimos muito durante esse processo. O trabalho, no entanto, só estava começando…

Depois da escrita, era hora de produzir e gravar aqueles oito episódios, que seriam dirigidos em dupla pelo João e eu. Felizmente, já tínhamos duas atrizes (Mariana Marinho e Fernanda Gonçalves) no projeto, mas ainda precisaríamos encontrar outros 14 profissionais.

Foi difícil, mas conseguimos pôr de pé um elenco incrível de atores profissionais que, além de muito talentoso, é todo composto por amigos e amigos de amigos. São eles: Érica Ribeiro, Joana Borges, Juliana Mesquita, Luiza Mesquita, Lilian Regina, Mara Faustino, Niveo Diegues, Oswaldo Mendes, Pedro Bosnich, Pri Calazans, Sérgio Barreto, Thiago Albanese, Wagner D'Avilla e Wallace Andrade.

Mas uma série não se faz só com roteiro e atores. Então, chamamos mais amigos para nos ajudarem nisso. O designer Arthur Borges criou a belíssima identidade visual e teve como assistente a também designer Bruck Nogueira; os editores de vídeo Camila Cavalcante, Luis Guilherme Chagas e Thaís Fróis se dividiram na montagem e finalização dos episódios; os motion designers Rafael Travolta e Raquel Nogueira cuidaram da vinheta e outras animações; sound designer Luiz Felipe Lamussi criou os efeitos sonoros e trilha original; a jornalista Fernanda Couto não só encontrou a música-tema perfeita pra série, como também convenceu o talentosíssimo cantor e compositor Marcus Lopes a nos deixar usá-la; as jornalistas Sheila Spago e Débora Stevaux ficaram no comando da comunicação nas redes; e, por fim, a também jornalista Natália Albertoni topou desenvolver uma estratégia de RP para o projeto.

Nunca seremos capazes de agradecer o suficiente toda essa galera que topou trabalhar de graça apenas por acreditar no projeto e na beleza da criação artística colaborativa. Essa experiência nos ensinou inúmeras lições inéditas, mas, a principal delas -- com a licença do leitor para ser meio brega no encerramento desse textão -- a gente já conhecia de cor: quem tem amigos tem tudo.

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